Deus nos envolve
As vezes a gente sente os seus olhos cravados em cada um de nós, olhando-nos fixamente, infinitamente, com uma intensidade infinita fixos em nós desde toda a eternidade. Outras vezes sentimos que sua alma nos olha abrindo imensamente os olhos, toda ela aparecida no olhar, toda a alma convertida em olhar, e o nosso olhar e o d´Ele se confundem como se Ele estivesse dentro de nossas pupilas, amado e amada confundidos em um único olhar. Outras vezes a alma pequenina sente-se abraçada pelo amado, ou se faz ela toda abraços para abraçar a Ele. Às vezes só se abraça o ar, e outras vezes sente-se inconfundivelmente o contato do amado. Às vezes é uma carícia sutilíssima que envolve a pele e a alma, com um calafrio que percorre a pele e a alma (...). Às vezes a alma inteira suspira, toda ela um puro suspiro, amando e amando com cada latido, com cada aspiração e expiração, com todas as células e as glândulas e os órgãos, como uma chama de amor incessantemente subindo e descendo e subindo e descendo.
fonte: (CARDENAL, Ernesto. Vida no amor. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979, p. 60-61)
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